
Essa é a D.Maria...mais parece um anjo descido do céu....

É uma pessoa fascinante,como poderia eu esquecê-la?

Mestre Tibúrcio...vejam a figura da mulher grávida....

As cachaças mineiras...um espetáculo de cores e embalagens maravilhosas...

Cestos de palha e de bambu,juntos com as lamparinas de latas de massa de tomate e milho verde...he!he! esse é o nosso Brasil!
Continuando pelas minhas "andanças" emMinas Gerais....Foram várias emoções por toda viagem,mas a que mais aqueceu meu coração foi o encontro com D.Maria.Quando parávamos em uma nova cidade, a primeira coisa que fazíamos era conhecer o Mercado Municipal e a Associação dos Artesãos local..Pernoitamos na bela cidade de Montes Claros.No dia seguinte antes de irmos embora,fomos conhecer o Mercado Municipal.Tirando BH,esse foi um dos mais bonitos que vimos por todas as cidades que passamos.Muito organizado e com vários boxs,contendo de tudo.Fiquei apaixonada por um trabalho em madeira, esculturas feitas pelo Mestre Tiburcio,uma das que mais me chamou atenção,era a figura de uma mulher grávida e dentro do ventre,aparecia a criança.Uma coisa de louco,as outras também eram belíssimas, e lá ficava o velhinho sentado num banco de madeira,esculpindo as peças ali mesmo.Vimos de tudo,desde peças artesanais,até cachaças aos montes.Todas as barracas eram enfeitadas,vende-se de tudo.Comprei alguns condimentos,coisa que adoro,para quem gosta de cozinhar é um prato cheio.O box que vendia cestos,tb era muito atrativo,ah! quanta coisa linda esse nosso povo faz.Ao examinar uma sacola de palha trançada,eu a vi.Entre os cestos,havia uma pessoinha maravilhosa,logo que a vi me apaixonei por ela.Comecei a olhar para aquela carinha de anjo que estava a minha frente.Acho que olhei com tanta firmeza,que ela ao me ver com a máquina na mão,saiu em disparada.E eu mais ainda,larguei meu marido naquela confusão toda, e comecei a procurá-la,era mais ligeira do que eu.Sumiu...evaporou...no meio daquele povo todo, não consegui achá-la.Mas como a figura dela era diferente,logo encontrei-a novamente.Fiquei atrás de uma coluna,para vê-la melhor.Estava parada em frente ao açougue,namorando os filés de carne pendurados nos ganchos.Ah! que cena emocionante.Pude analisá-la melhor:Era uma senhorinha de 1,50...estava vestida simplesmente,comum a saia rodada,por baixo da saia vinha uma calça comprida e a saia no meio da canela.Vestia uma blusa de mangas compridas e por cima uma camiseta de malha com uma imagem do Sagrado Coração de Jesus estampado e em volta bordada com lantejoulas.Fiquei extasiada,no cabelo tinha um lencinho branco e um semblante maravilhoso.Vi de longe meu marido me acenando...mas nem liguei,fiquei ali parada tentando fotografá-la.Derrepente ela me viu de novo e saiu em disparada,e fui atrás.Perdi-a de novo...contei para meu marido e pedi que ele tivesse paciência,pois eu tinha que ver aquela pessoinha novamente.Encontrei-a finalmente,sabe onde?Numa banca de flores,comprando rosas...aí então não aguentei.Tinha que conhecê-la...me aproximei de mansinho e bati no ombro dela.Me apresentei,ela ficou acanhadíssima, abaixou a cabeça timidamente.Perguntei o nome dela,e ela me disse chamar Maria.Fiquei arrepiada,mas parecia mesmo a virgem Maria.Perguntei para quem era os dois buquês de rosas,e ela então disse que era para os santos dela.Me arrisquei um pouco mais e disse a ela que ela era muito linda.Ela ficou vermelha e deu um sorriso meio tímido.Perguntei então se eu podia fotografá-la,pois eu achava-a muito bonita.Ela então fez pose,me deu um sorriso com a boca fechada,pedi então que ela desse um sorriso de mineira maravilhosa,eis que ela sorriu meio que tímida,mas deu um belo sorriso.Fiquei tão emocionada, que acabei chorando...e ela tb se emocionou.Abracei-a e beijei o rosto dela, em agradecimento.Dei um tchau para ela,e percebi que ela ficou lá no meio me olhando com as flores na mão.Depois ao virar novamente,ela já havia ido embora,só vi o lencinho dela balançando sobre sua cabeça.Fiquei o dia inteiro pensando na velhinha e ao escrever esse conto, lembro dela com saudades,parece que estou vendo-a no meio daquela confusão de gente passeando aleatoriamente por entre tantas pessoas desconhecidas,com apenas um propósito:levar as florzinhas para Nossa Senhora,segurava os buquês como se estivesse carregando um troféu.